Missão dada é La Misión cumprida!

“The point of the journey
Is not to arrive
Anything can happen”

Rush – Prime Over

Tudo começou em 2012, com uma corridinha semanal no Parque do Ibirapuera, me lembro bem que não conseguia correr por 3 minutos, cansava, minhas pernas doíam e ficava uma semana, até mais sem tentar correr novamente. Naquele momento não sabia, mas estava adquirindo um vício: Correr.

Já falei no post anterior como foi minha evolução nas corridas e não quero ser repetitivo aqui, mas uma coisa sempre ficou na minha cabeça ao participar de provas, que o meu maior adversário sou eu mesmo.

Chegar nunca foi o importante, mas estar ali é emocionante, independentemente de tempo, performance ou premiação, vencer os meus próprios limites e ver do que sou capaz é o que me motiva e me dá prazer, e o ápice desse mix de sentimentos veio a tona durante o La Misión Brasil, realizado no dia 20 de junho de 2015.

La Misión Brasil

Como expliquei semana passada a prova realizada na Serra Fina em Passa Quatro/MG é uma das mais duras corridas de montanha do Brasil e demanda um ótimo preparo físico e um excelente psicológico.

Quando me inscrevi para a prova não tinha certeza se conseguiria completá-la, afinal apesar de ser um montanhista com uma certa experiência e longas travessias computadas, sou um corredor medíocre que nunca correu uma prova maior que 10km.

Bem me preparei da melhor forma que consegui e fui ver o que me esperava nas montanhas da Serra Fina.

Cheguei a Passa Quatro/Mg na sexta-feira (19.06.15) e me hospedei no hostel da Harpia Adventure onde a grande maioria dos hóspedes eram competidores do La Misión. Encontrei meus amigos Juliana e o Júnior, nos estabelecemos e fomos buscar o kit da corrida e jantar. Voltamos para o hostel e dormimos cedo.

As 6 da manhã já estava de pé, a ansiedade era grande, em 3 horas seria dada a largada, o café da manhã reuniu muitos competidores e cada um compartilhando sua experiência em corridas anteriores de endurance, maratonas, provas de montanha, entre outras e eu me sentindo um peixe fora do ninho, por nunca ter corrido mais de 10km. Competidores de todas as idades inspiravam uns ao outros, sendo que a inspiração maior veio da sra. Tomiko uma ultramaratonista que no auge de seus 65 anos iria disputar os 80km do Short Misión.

Café da manhã com os corredores

Com a mochila arrumada e adrenalina a mil fomos para o ponto de largada onde teria um breve briefing da prova antes da largada às 9 horas da manhã.  O centro de Passa Quatro estava tomado por corredores vestindo laranja (short misión) e amarelo (half misión), todos cheios de adrenalina e ansiedade.

Aguardando o briefing e a largada

Após as explicações da organização foi dada a largada, a mais emocionante da minha vida, as pessoas na rua aplaudiam o comboio de corredores e os moradores saiam às janelas para ver a trupe correndo em direção às montanhas.

O primeiro trecho da corrida, cerca de 11 km, foi do centro de Passa Quatro (891m de altitude) até o primeiro posto de controle no Refúgio Serra Fina (1.500m), inciando a corrida nas ruas de paralelepípedo, em direção a zona rural, onde o maior trecho foi em estrada de terra com uma boa elevação. Iniciei correndo devagar, poupando energia nas subidas, o clima ameno era bom pra correr e após os primeiros quilômetros começou a espalhar bem os competidores, em alguns trechos cheguei a ficar sozinho na estrada.

Primeiro trecho da corrida pelo estradão de terra

Nas subidas poupava energia e aproveitava para um selfie

Atingi o primeiro posto de controle no Refúgio Serra Fina após 1 hora e 40 minutos de corrida pelo estradão de terra. Ali me hidratei, tomei um gel de carbo, ajustei os bastões de trekking que estavam presos na mochila e vesti o capacete que era obrigatório a partir daquele ponto.

1º Posto de Controle - Refúgio Serra Fina

O trecho seguinte da corrida começava o trekking propriamente dito, subida forte de montanha, ambiente que me dou melhor e meu habitat natural. O trajeto inicia-se em uma trilha exclusiva do Refúgio Serra Fina em direção ao Capim Amarelo, trilha essa diferente da que percorri na travessia feita semanas antes.

Extremamente técnica a subida era um tanto quanto difícil, muita lama e trecho íngremes em mata fechada tornava a primeira parte do percurso na montanha desafiador, comecei a desenvolver um bom ritmo e a ultrapassar uma grande parte dos competidores. Cerca de uma hora após deixar o primeiro posto de controle passei pelo primeiro ponto de água, bebi o resto da minha maltodextrina que estava na garrafa de 500ml e a enchi preparando uma dose de isotônico.

um dos primeiros contatos com a beleza da Serra Fina

Continuei a subida e quando sai da mata fechada pude sentir o sol tocar meu rosto e fui brindado com toda a beleza da Serra Fina, as nuvens abaixo dos competidores, uma linha de corredores pelas cristas das montanhas acima e abaixo de mim  com suas camisetas laranjas e amarelas tornava a paisagem mais que especial. Com umas 3 horas e meia de prova encontrei a Juliana sentada numa pedra descansando, parei com ela, dividi meu isotônico e continuamos a subida do Capim Amarelo juntos. Subida técnica, com alguns trechos expostos e sendo necessário o auxílio de cordas e/ou escalaminhar um pouco, o que causava um certo congestionamento de competidores, aliás nesses pontos aproveitei para ganhar umas posições, enquanto a fila para usar a corda aumentava ia no trepa pedra.

O mar de nuvens e o trajeto da corrida pelas cristas das montanhas

Trecho técnico na subida do Capim Amarelo com auxílio de cordas

Após 4 horas e 25 minutos da largada chegamos no 2º Posto de Controle, pouco antes do cume do Capim Amarelo (2439m), neste ponto os trajetos do Short e do Half se separava, à direita em direção ao cume do Capim Amarelo e posteriormente à Pedra da Mina iam os corredores da camiseta amarela, à esquerda em Direção ao Tijuco Preto iam os competidores da camiseta laranja. Seguimos à esquerda.

Um dos pontos mais altos da corrida próximo ao PC do Capim Amarelo

O caminho que até agora era de subidas começava com descidas em direção ao Tijuco Preto. Trecho lindo, caminhamos pelas cristas das montanhas, com o sol nos aquecendo, em alguns trechos menos acidentados era possível correr um pouco. Conhecemos dois amigos,  o Claudio e a Debora, dois maratonistas de São Paulo, e continuamos a cruzar com eles por um bom trecho.

Juliana no trecho Capim Amarelo - Tijuco Preto

Paramos para comer com 5 horas e pouco de prova, carregava comigo uma esfiha de frango que comprei na estrada no dia anterior, aquela foi a mais saborosa esfiha que já comi, devido às circunstâncias do “almoço”, uns raros minutos de descanso e seguimos na corrida, descendo por um trecho extremamente técnico rumo ao fundo de um vale entre o Capim Amarelo e o Tijuco Preto. Nesse ponto a Juliana começou a se distanciar de mim novamente, difícil acompanhá-la (o Junior então impossível, não o via desde a largada).

A exuberante Serra Fina faz dessa corrida especial

Segui meu caminho, agora sozinho, subindo um trecho cheio de lama, e pontos impossíveis de subir sem o auxílio das cordas ali instaladas, em direção ao Tijuco Preto, chegando ao 3º Posto de Controle (2.320m de altitude) com o cronômetro marcando 6 horas e 4 minutos de prova. O fiscal do posto informou que a partir daquele ponto não haveria mais subidas significativas no trajeto e em cerca de 2 km teria um ponto de água.

 

Próximo ao PC do Tijuco Preto

Sabia que estava entrando na parte final da prova e tentei acelerar o ritmo, a descida era difícil, trechos de mata fechada, bambuzais e e descidas bem íngremes, estava relativamente rápido e ultrapassei outros competidores, já podia ouvir de longe o apito da maria fumaça de Passa Quatro.

Vista do Tijuco Preto

Atingi o 4º Posto de Controle, na Casa de Pedra, decorridos 7 horas e 20 minutos de prova, me hidratei, comi algo e pouco a pouco foram chegando outros competidores no posto de controle. Sai antes de todos e fui informado pelo fiscal que até agora tinha percorrido 20km e haveria em torno de 10 até o final da prova, sendo todo o trecho até a cidade em estrada de terra.

Último ponto com vista aberta na corrida

Entrei nessa fase final alternando trechos de corrida com caminhada, nesse ponto comecei a ser ultrapassado por alguns corredores que deixei para trás na montanha que eram mais rápidos que eu nesse tipo de terreno.

A cada passo ficava mais perto da linha de chegada, o sol ia se pondo no horizonte e eu já tinha a cidade no meu campo de visão, começava a escurecer e meu corpo já cansado ia buscando forças para completar os últimos quilômetros desta corrida insana. A estrada de terra me levou para perto da cidade e faltando cerca de 3 km para o final puxei o ar com mais força e comecei a correr num ritmo mais forte, já sob o cair da noite ultrapassei um grupo de 3 competidores e cheguei perto da zona urbana da cidade, estava quase lá.

O dia chegando fim junto com a corrida

Atravessei a rodovia que divide a zona rural da cidade e entrei em Passa Quatro triunfante, corri o mais rápido que meu corpo permitia, ia seguindo as setas colocadas nos postes indicando o caminho, dividindo as ruas e as calçadas com os carros e pedestres, após dobrar a última esquina vi ao fundo da rua a linha de chegada.

Corri, corri buscando forças sabe-se lá onde, em busca da linha de chegada, o quanto mais perto eu chegava naus rápido eu corria, ouvir as pessoas gritando e me aplaudindo me arrepiou inteiro, eu sozinho naquela rua correndo em direção ao que para mim era a glória, completar essa prova de extrema dificuldade era um sonho e cruzei a linha de chegada 8 horas e 45 minutos depois da largada, tomado pela alegria e emocionado, por pouco não escorreram lágrimas de meus olhos (acho que elas secaram no sprint final), recebi minha medalha de finisher. Estava muito feliz por ter completado a prova em um tempo muito bom, ter corrido os cerca de 30 km da prova duríssima foi sensacional e não conseguia me conter (o circuito foi modificado, reduziu-se os 40km iniciais e aumentou a dificuldade técnica e elevação da prova).

Finisher!!! 9º Colocado Categoria Senior B Masculino

Pausa para fotos com a medalha e para comemorar, descobri que a Juliana foi a segunda colocada na Categoria Senior B Feminino, o Junior foi o grande Campeão do dia, 1º lugar geral no Short Mision e para minha surpresa eu fui o 9º colocado na Categoria Senior B Masculino e 62º colocado Geral, num total de 116 competidores no Short Mision.

Melhor medalha ever!!

Um resultado inimaginável, terminei à frente de maratonistas, corredores com mais experiência e preparo do que eu, isso me deixou muito mais feliz, nunca pensei em atingir resultados tão expressivos, o treinamento foi duro, acordei muitas vezes cedo para correr, me privei de algumas coisas para poder treinar, abdiquei de algumas reuniões em botecos com amigos, mas o resultado valeu a pena. Não por chegar a frente de um bom número de pessoas, mas por competir e vencer meu maior adversário, eu mesmo! Fiquei extremamente orgulhos de saber que tenho pernas, pulmões e cabeça para enfrentar um desafio desse tamanho. Aliás o slogan da prova diz: “La Mision, onde chegar é ganhar!!”

 

Feliz com meu resultado e dos meus amigos fomos comemorar abastecidos de vinho, cerveja e pizza, merecidos! No dia seguinte, meu amigos foram para a cerimônia de premiação, gostaria de tê-los acompanhado, mas tive que voltar cedo para casa.

A lição que trago dessa prova é que chegar não é o mais importante e sim toda a jornada,  cada passo dado é como se fosse uma vida, e nela tudo pode acontecer, basta não desistirmos e nossos sonhos se tornam realidade.

Marcas da Corrida!

Apêndice Técnico:  Short Mission

Percurso

- Largada – 1º Posto de Controle (Refúgio Serra Fina):

  • Tempo: 1 hora 40 min
  • Distância total: 11km
  • Elevação inicial: 891 metros
  • Elevação final: 1500 metros

- 1º Posto de Controle (Refúgio Serra Fina) – 2º P.C. (Capim Amarelo):

  • Tempo: 4 horas 25 min
  • Distância total: -
  • Elevação inicial: 1500 metros
  • Elevação final: 2439 metros

- 2º P.C. (Capim Amarelo) – 3º P.C. (Tijuco Preto):

  • Tempo: 6 horas 04 min
  • Distância total: ~18 km
  • Elevação inicial: 2439 metros
  • Elevação final: 2320 metros

- 3º P.C. (Tijuco Preto) – 4º P.C. (Casa de Pedra):

  • Tempo total: 7 horas 20 min
  • Distância total: 20 km
  • Elevação inicial: 2320 metros
  • Elevação final: -

- 4º P.C. (Casa de Pedra) – Chegada:

  • Tempo total: 8 horas 45 min
  • Distância total: 30 km
  • Elevação inicial: -
  • Elevação final: 891 metros
  • Desnível acumulado total: 2015 metros
  • Colocação cat. Senior B: 9º
  • Colocação Geral: 62º

Não levei GPS para corrida, os dados relativos a distâncias e elevação foram colhidos por outros competidores ou informados pela organização. A única medição efetuada  por mim foi o tempo. O tempo final de 8h45 é o registrado no ranking oficial, da mesma forma as colocações. O ranking oficial pode ser conferido aqui.

Circuito Short Misión mapeado pela Juliana Garcia

Alimentação e Hidratação

  • 4 unidades de gel energético
  • 2 barras de proteína
  • 1 dose de Maltodextrina
  • 1 Pastilha de Isotônico
  • 4 Bananas passa
  • 3 Barras de cereal
  • 1 Esfiha de Frango
  • 4 sachês de mel
  • Água

Os equipamentos utilizados estão descritos no post Em busca de La Misión, aqui está listado somente o que consumi durante a prova.

Quem acompanhou o post sobre a Serra Fina viu eu reclamando do tênis utilizado naquela ocasião (Mizuno Waze Kazan) que não dava a mínima aderência em solo com barro e pedras. Adquiri um Salomon Speed Cross 3 e o utilizei pela primeira vez no Short Misión, foi perfeito, um tênis muito confortável, ideal para o tipo de terreno que enfrentei, as travas altas davam bom “grip” e escorreguei poucas vezes. Será o calçado oficial das próximas corridas de montanha.

Esclarecimentos Short Pro e Short Mision

A organização da prova cometeu um erro na demarcação do percurso e 21 atletas do Short Mision desviaram do percurso entrando no trajeto do Half Mision. De modo a não penalizar os atletas que seguiram outro trajeto que o por mim e a maioria dos atletas percorreu a direção do La Mision Brasil os rankeou e premiou em uma categoria nova, chamada de Short Pro. Todos os participantes receberam um e-mail da organização com um pedido formal de desculpas pelo ocorrido.

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Em busca de La Misión

Há pouco menos de 2 anos publiquei o texto Mudança de Hábitos falando sobre como estava mudando meu ritmo de vida através da corrida e hábitos mais saudáveis.

Pois bem, 2 anos já se passaram e peguei mais gosto pela corrida, naquela oportunidade havia participado somente de corridas de 5km, hoje corro provas de 10km e estou iniciando em provas de trail run e corrida de montanha.

Continuo a me alimentar melhor, com algumas recaídas e ganho de peso, mas hoje me mantenho entre 95kg e 98kg, melhor qualidade de sono e disposição.

Esse ano intensifiquei, a partir de março, os treinos de corrida, aliados a musculação (ô coisa chata!!) e a ter uma maior participação em corridas, almejando objetivos maiores.

Meu calendário de corridas começou em 11.04.2015,  no grande evento XTerra em Paraty/RJ, foram 7km em uma corrida noturna com circuito misto, asfalto e terra, pelas ruas da bela cidade história, completados em longos 51 minutos. Essa prova foi de suma importância para me despertar um novo foco: correr fora do asfalto.

XTerra Paraty - Leo, Juliana e Eu

Continuando meu cronograma participei em 26.04.2015 da XIV Meia Maratona Caixa Cidade de Santo André, onde correria 10km, porém uma pequena lesão e o medo de aumentá-la me fez cortar para os 5km e mesmo assim completei em um bom tempo o curto trajeto – 32 minutos.

No dia das mães (10.05.2015) fiz minha 3ª corrida do ano, o 3º Circuito Popular de Corridas de Rua Diário do Grande ABC – Rio Grande da Serra (adoro esses nomes pomposos!), uma prova de 10km bem interessante com longos trechos de terra, paralelepípedo e asfalto, um circuito bem misto, completados em 1 hora e 13 minutos. foi uma prova especial pois foi minha primeira com a excelente equipe My Runner Assessoria Esportiva.

3º Circuito Popular de Corridas de Rua Diário do Grande ABC - Rio Grande da Serra

Já com a assessoria dos ótimos profissionais da My Runner fui para a 4ª corrida do ano, a Etapa Portugal da Série Delta 10Km, uma corrida que tem um significado especial, pois foi justamente na Série Delta que participei da minha primeira prova de corrida de rua em 2013. Os treinamentos mais específicos fizeram a diferença e corri os 10km pelas belas ruas do Ipiranga e do Parque da Independência cravando meu melhor tempo em 10km até então 1 hora 4 minutos e 37 segundos.

Etapa Portugal - Série Delta 10k

Continuei os treinamentos focando distâncias mais longas e alternando com Trekkings,  o que nas provas de montanha me ajudará bastante, como a Travessia no Parque Nacional do Caparaó, passando pelo 3º e 4º  maiores picos do Brasil (Pico da Bandeira e do Calçado), Pedra do Sino na Serra dos Órgãos, com 10km de pura subida e o trecho da Serra Fina, relatado no post anterior.

O trekking tem sido de suma importância para testar equipamentos, alimentos, roupas, recuperação e meus limites, diante do desafio que está por vir.

A minha última corrida foi este domingo 14.06.2015, na Mizuno Half Marathon, corri 10,5km em um circuito rápido, onde desenvolvi meu melhor pace e tempo, completando a prova em 1hora e 7 minutos. Foi o treinamento final antes da de encarar a prova que venho esperando desde que fiz o XTerra em abril: Short & Half Mision Brasil.

Mizuno Half Marathon

Dias 20 e 21 de junho de 2015 rola em Passa Quatro/MG a corrida Short & Half Mision Brasil, considerada a mais dura prova de montanha do Brasil, na modalidade 40km e 80km, percorrendo trechos da Serra Fina em um trajeto altamente desafiador para corredores e trekkers.

A ideia de participar dessa corrida veio da minha amiga de perrengues Juliana Garcia depois de corrermos o XTerra Paraty, nos inscrevemos no Short Mision de 40 km e há meses estamos esperando essa data e nos preparando, ela lá em BH e eu aqui em SP.

A corrida é de autossuficiência, feita individualmente, onde devemos carregar a própria água, alimentos, equipamento de montanha e roupas por todo o percurso, que tem como limite de tempo 14 horas (O half mision de 80km o tempo limite é de 28 horas).

O trajeto do Short inicia-se no centro de Passa Quatro, a uma altitude média de 950m e vai atá o cume do Capim Amarelo em um altitude de 2450m, passando pelo cume do Tijuco Preto e retornando ao centro da cidade. A elevação da prova é muito alta e há trechos bem técnicos onde deve ser usada as mãos para auxílio, e descidas íngremes, aliás é possível e  recomendado correr somente em 40% do trajeto. Não há pontos de hidratação como nas provas de rua, devemos pegar nossa água em riachos e a s temperaturas podem chegar até perto de 0º C nos pontos mais altos agora no inverno.

Administrar estes fatores faz essa prova ser altamente desafiadora, pois além de um bom preparo físico é necessário um excelente preparo psicológico e conhecer a montanha.

Manejar e escolher bem o equipamento é de suma importância e pode fazer a diferença na prova, assim como manter-se aquecido, alimentado e hidratado (leia abaixo no apêndice técnico o equipamento que usarei).

Espero completar os 40km dessa missão em 10 horas e sem maiores problemas, já conheço parte do trajeto e me julgo em boa forma para encarar o desafio. Acredito que semana que vem tenha um bom relato contando sobre o Short Mision para postar aqui no Mochila & Capacete e porque não acrescentar a palavra “tênis” ao nome do site! Nos vemos em breve!

 

Apêndice Técnico: Equipamentos Short Mission

  • Mochila de ataque 20l (Deuter Speedlite)
  • Bolsa de Hidratação 2l* (Streamer Deuter)
  • Garrafa de água*
  • Bastões de Caminhada (BlackDiamond Trailback)
  • Lanterna de Cabeça* (BlackDiamond Icon)
  • Lanterna extra
  • Jaqueta corta-vento impermeável (Anorak)*
  • Calça longa de lycra para trekking*
  • Suéter de Fleece*
  • Camiseta térmica mangas longas *
  • Carregador portátil celular
  • Tênis para trekking (Salomon Speedcross 3)
  • Óculos de sol
  • Protetor solar
  • Bandana/gorro*
  • Luvas*
  • Capacete*
  • Celular
  • Manta de alumínio*
  • Apito*
  • Pochete
  • Pilhas extras
  • Relógio
  • Saco compressão (para acondicionar as roupas na mochila)

Kit de primeiros socorros (Obrigatório)

  • Antisséptico (20ml)*
  • Rolo de esparadrapo 5cm x 4,5m*
  • Pinça*
  • Cartela de antinflamatório*
  • Cartela de antiestaminico*
  • Par de luvas cirúrgicas*
  • Pacote de gases estéril*
  • Rolo de atadura 10cm x 1,8m*
  • Imosec
  • Antiácido
  • Analgésico
  • Lenço Papel

Alimentação e Hidratação

  • 7 unidades de gel energético
  • 4 barras de proteína
  • Maltodextrina
  • Isotônico em Pastilha
  • Banana passa
  • Barras de cereal
  • Chocolate
  • 2 Sanduíches
  • Água

Itens marcados com * são obrigatórios

Equipamento Short & Half Mision Brasil

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Serra Fina sem explicações

“Qual a graça de subir montanhas? Você anda, se cansa, chega lá em cima e….???? Desce… qual a emoção nisso?”

Esse questionamento já ouvi inúmeras vezes de muitos amigos, sempre que troco um final de semana no conforto da minha casa, ou com uma festinha em um bar ou na casa de alguém as pessoas ficam sem me entender e soltam essas pérolas. Brincam comigo que se ao menos tivesse um bar lá no alto da montanha valeria o esforço.

Já tentei explicar a sensação que sinto, porém não há palavras que expressem os sentimentos de uma montanhista ao chegar no cume e ver o sol, as nuvens e a imensidão do mundo lá de cima. Prazer? Certamente essa palavra descreve parte do que sinto. Emoção? Também consegue explicar parte desse mix de sensações. Adrenalina? Sim, há a adrenalina, mas é tão relaxante sentir o vento tocar no rosto lá do alto onde a maioria não quer chegar, que só a adrenalina não justifica o desgaste extenuante que é ascender uma montanha (ou várias delas).  Superação? Sim, me sinto superando obstáculos a cada passo que dou rumo ao topo, ainda mais por pensar que há 5 anos atrás quase perdi meu pé esquerdo em um acidente de moto.

Poderia listar mais uma dúzia de palavras aqui, mas elas seriam rasas e não tão descritivas para explicar a meus amigos e a você leitor, que considero um grande amigo só por me dar uns minutos de atenção, a sensação que um montanhista sente estando em conexão com aquelas que ele mais ama: As Montanhas.

Amigos montanhistas no cume da Pedra da Mina

No último feriado de Corpus Christi junto com outros amigos montanhistas – Rafael Campos também de São Paulo, Juliana Garcia, Samuel Vasconcelos e Lorena Mariani todos de Belo Horizonte – encarei um desafio grande, considerada por muitos como a mais dura travessia de montanhas no Brasil a Serra Fina, uma cadeia montanhosa localizada na Serra da Mantiqueira, que situa-se na divisa entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e que abriga o quarto ponto mais alto do Brasil e ponto culminante do estado de São Paulo, a Pedra da Mina (2798m), com acesso principal pela cidade de Passa Quatro/MG.

Característica da Serra Fina é o trekking pelas cristas

A ideia original da travessia era completar o  trajeto inteiro em 14 horas, apenas com mochila de ataque, sem acampamentos e grandes volumes de equipamentos, contrapondo a travessia clássica, feita em 4 dias e 3 noites, ao logo de seus quase 30km de extensão, mas uma coisa que aprendi ao longo de todos esses anos “brincando” nas montanhas é que a ideia original nunca é a definitiva.

O ponto de encontro foi na quinta-feira (04/06/2015) no Município mineiro de Itanhandu (12km de Passa Quatro), onde nos hospedamos no abrigo Tropical de Altitude (mais informações no apêndice técnico), lugar confortável e point de vários montanhistas que se aventuram na Serra Fina, Parque Nacional de Itatiaia e no complexo do Pico do Marins.

Agendamos para sair do abrigo as 3 da manhã da sexta-feira (05/06/2015) e iniciar a trilha as 4 da manhã, o transporte foi feito por uma guia da região (contato dela e de outros que fazem o transporte se consegue fácil no Tropical de Altitude), porém devido há alguns imprevistos atrasamos um pouco nossa saída, sendo que a Lorena abortou ali a trilha por dores nas costas.

Sol nascendo na subida do Capim Amarelo

O ponto inicial da travessia é a Toca do Lobo, distante cerca de 10km da cidade de Passa Quatro por estrada de terra, onde o nosso transporte nos deixou. Iniciamos a jornada as 4:40 da manhã ainda sob a luz da lua cheia, o trecho inicial foi tranquilo e começamos a subida pelas cristas das montanhas até o Capim Amarelo (2.491m) já com os primeiros raios de sol e a uma temperatura de 5ºC , atingindo o cume as 7:30 da manhã, onde nos hidratamos e alimentamos e encontramos uma amiga querida por acaso, a montanhista de Teresópolis Monique Zajdenwerg. Esse trecho inicial corresponde ao primeiro dia da travessia clássica, onde os montanhistas que optam por fazê-la dessa forma acampam.

Subida do Capim Amarelo

Encontro inusitado no alto do Capim Amarelo

Após um breve descanso retomamos a trilha, com a descida do Capim Amarelo em direção à Pedra da Mina, correspondente ao segundo dia de caminhada da travessia clássica. Uma palavra descreve a descida do Capim Amarelo: TENEBROSA. A descida é extremamente ingrime, com muito barro e pedras soltas, situação ocasionada pela erosão devido ao grande número de pessoas que percorrem a trilha. Nesse trecho comecei a enfrentar alguns problemas ocasionados pela escolha do calçado para a trilha, optei por ir com um tênis de trilha ao invés da bota de trekking e me dei mal… Na descida cai mais de 10 vezes, pois o calçado não dava aderência na lama e nas pedras molhadas. Para evitar cair mais vezes comecei a fazer um grande esforço o que ocasionou um desgaste muscular e consequentemente câimbras. Esse trecho foi sofrido para mim, meu ritmo caiu muito e me distanciei dos meus amigos que iam muito mais rápido.

Segundo trecho percorrido: Capim Amarelo x Pedra da Mina

A Serra Fina tem o relevo altamente acidentado

O grande fluxo de montanhistas na trilha me atrapalhou também pois quebrava meu ritmo já lento. O horário limite para atingirmos a Pedra da Mina era 11:30 da manhã e devido ao meu ritmo lento percebi que não seria possível atingir a meta. Me confundi na trilha na região do Maracanã e me distanciei mais de meus amigos. Cheguei no primeiro ponto de água na base da Pedra da Mina por volta de 11h, descansei, hidratei, belisquei, abasteci e alonguei bastante as pernas para tentar minimizar as câimbras e segui em frente já iniciando a subida.

Paisagens marcantes no segundo trecho da travessia

Cenas como essa que não consigo explicar

Pouco após o primeiro ponto de água há um pequeno riacho onde é possível reabastecer também, meus amigos ali esperavam e em consenso decidimos abortar a travessia completa e terminá-la pela rota de fuga do Paiolinho (que é um bairro de Passa Quatro), caminho muito utilizado por aqueles que somente vão para a ascensão da Pedra da Mina. Porém antes de abortarmos para o Paiolinho  ainda tínhamos que terminar a subida do ponto culminante da travessia, uma subida cansativa, com um grande ganho de elevação, mas com uma vista recompensadora. Atingimos o cume da Pedra da Mina em torno das 14 horas, apesar de frustrado por não ter acertado a meta do horário e não ter mais tempo para completar a travessia inteira chegar ao ponto mais alto do estado de São Paulo e ao quarto lugar do Brasil foi demais. O frio e o vento castigava mas a alegria superava o frio, as dores nas pernas e a frustração. Ficamos até as 15 horas ali em cima, assinamos o livro de cume, comemos e tiramos algumas fotos.

Trecho final da subida da Pedra da Mina

Vista do cume da Pedra da Mina

O caminho clássico nos levaria em direção ao vale do Ruah ao leste, seguindo até o Pico dos 3 Estados (2656m) e terminando a travessia no Sitio do Pierre,  mas nosso caminho era ao norte pelo Paiolinho, uma descida casca grossa pela face da Pedra da Mina que nos tomou umas 5 horas de caminhada, indo por outras cristas até a descida carinhosamente chamada de “Deus me livre”, o sol se pôs depois das 17h30 e caminhamos com auxílio de lanternas por boa parte do trecho final, atingimos a fazenda Serra Fina, ponto final dessa meia travessia pouco antes das 20, onde nosso resgate nos esperava para levarmos de volta ao abrigo.

Descida para o Paiolinho

Encosta norte da Pedra da Mina

Percorremos 26km ao total, elevação de mais de 2.000 metros, ao longo de 15 horas e 40 minutos, certamente não foi o que esperava, pois o plano era completar a travessia toda, mas caminhar em um dos cenários mais bonitos do Brasil em companhia de ótimos amigos compensou todo o esforço e dores sentidas.

Sol se pondo na descida do Paiolinho

Não há como explicar para quem não estava ali conosco o que foi aquela travessia e se tiver que explicar dificilmente alguém entenderá. Esse tipo de sensação só sente quem está ali, dando um passo atrás do outro, ganhando cada metro de elevação, sentindo o vento frio das montanhas cortando o rosto e se deslumbrando com um cenário que a maioria das pessoas nunca viu e nunca verá. Amo ser montanhista e as adversidades que esta atividade proporciona tornam a aventura cada vez mais emocionante e que venha o próximo perrengue, pois já sinto falta do ar lá de cima.

Espetáculo final no "Deus me Livre"

Apêndice Técnico Serra Fina

Trilha

  • Dificuldade: Alta
  • Elevação: +2000 metros
  • Orientação: Trilha demarcada com totens de pedra e fitas. GPS com tracklog ajuda muito a navegação
  • Tempo de Trilha: 14h 50min
  • Distância Percorrida: 26km
  • Ponto de água: Logo após o início da trilha e pouco antes da subida da Pedra da Mina
Logística
  • Cidade de Partida: Itanhandu/MG
  • Distâncias: 260km de São Paulo, 430 de Belo Horizonte e 250km do Rio de Janeiro.
  • Hospedagem: Abrigo Tropical de Altitude – cama em quarto compartilhado R$ 30,00, com chuveiro e sem café da manhã.
  • Resgate: Acertado com guia local, contato direto com o abrigo – R$ 50,00 cada trecho com carro próprio ou R$ 180,00 com carro do guia.

Equipamento básico

  • Mochila de ataque 20l
  • Bolsa de Hidratação 2l
  • Garrafa de água
  • Bastões de Caminhada
  • Lanterna de Cabeça
  • Anorak
  • Calça de trekking
  • Casaco de Fleece
  • GPS
  • Tênis para trekking (aliás não utilizei um tênis confiável e adequado, utilizei um mizuno wave kazam, bom para correr em estradas de terra batidas, mas péssimo em trilhas com barro e pedras, cai várias vezes e não o utilizo mais dessa forma,  se tivesse utilizado uma bota de trekking ou um tênis mais confiável e com melhor aderência  certamente teria completado o percurso)
  • Óculos de sol
  • Protetor solar (ok esqueci o meu em casa e me arrependi, não faça o mesmo)
  • Bandana/gorro
  • Luvas
  • Celular (importante para chamar o resgate no fim da travessia, há sinal em muitos pontos da trilha)

Alimentação e Hidratação

  • 6 unidades de gel energético
  • 4 barras de proteína
  • Maltodextrina
  • Isotônico em Pastilha
  • Banana passa
  • Barras de cereal
  • Chocolate
  • Sanduíches de presunto e queijo
  • Água – iniciei a trilha com 3 litros, 2 na bolsa de hidratação e 1/2 litro em cada garrafa, uma com isotônico e outra com maltodextrina.
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Um novo Despertar

Há muito tempo, sim, não escrevo aqui, ficaram velhas todas as postagens  e eu mesmo envelheci.

Vários motivos me fizeram largar o blog, problemas pessoais, profissionais, poucas viagens, poucas trilhas, lesões, etc… Mas nunca decidi abandonar definitivamente o Mochila & Capacete, apenas achei que meus leitores não mereciam nada que eu não escrevesse com a mesma paixão que sempre tive ao relatar minhas experiências aqui.

Muito se passou desde o último relato em 2013, tive algumas viagens interessantes, como a que conheci as Cidades Históricas Mineiras em uma volta de moto por aquelas bandas em setembro de 2013, a descida da Estrada da Graciosa,  ou ainda a travessia Petrópolis x Teresópolis que abriu a  minha temporada de montanha de 2014 e me rendeu uma fratura no cóccix que me deixou de molho por toda temporada.

Museu da Inconfidência - Ouro Preto/MG

Estrada da Graciosa/PR em 2013

Aliás 2014 foi um ano para ser esquecido, o Panzer se foi, vendi o meu companheiro de aventuras no fim do ano e hoje estou sem moto.

Porém 2015 trouxe novos ventos e novos horizontes e atividades, conheci o belo Ceará onde me apaixonei pelo belo Parque Nacional de Jericoacoara, aprendi a mergulhar e agora sou um mergulhador certificado (logo mais dicas de mergulho aqui), voltei a correr e participar de provas de corrida de rua e de montanha.

Pedra Furada em Jericoacoara - março de 2015

Mergulho em Ilha Grande - 2015

Por falar em montanhas a temporada 2015 começou com tudo: Travessia no Parque Nacional do Caparaó, passando  pelo Pico da Bandeira e do Calçado; Pedra do Sino em Teresópolis e o perrengue do ano no feriado de Corpus Christi com meia Travessia da Serra Fina no ataque de 1 dia (o próximo relato aqui).

Pico da Bandeira - Travessia no Parque Nacional do Caparaó

Pedra do Sino - Serra dos Órgãos/RJ

Novidades aqui no Mochila & Capacete serão anunciadas em breve e um relato novo deve ser publicado nos próximos dias, mas considerem esse novo recomeço como definitivo e duradouro, voltar a escrever aqui me faz sentir como o poeta mineiro de Itabira escreveu no poema “Carta”:

“Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelhecí: olha em relevo
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que a sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.”

Carlos Drummond de Andrade

Nos vemos em breve!!

 

Pedra da Mina - Serra Fina

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11 de Dezembro – Dia Internacional da Montanha

Hoje é o Dia Internacional da Montanha um dia para celebrar e pensar na conservação e desenvolvimento das montanhas, esta formação geológica que tanto nos fascina. A data foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Mochila  & Capacete volta a ser atualizado justamente nesta data após mais de um ano de inatividade, pois as montanhas são mais que especiais aqui e para isso selecionamos as melhores imagens de nossas andanças montanhas acima.

Torres del Paine - Patagônia Chilena

Pico da Bandeira - ES/MG

Vista da Pedra do Sino - RJ

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