Dias 52 a 54: Córdoba – Corrientes – Puerto Iguazú/ARG (15/02/2013 a 17/02/2013)

Após a tranquila estadia em Córdoba era hora de encarar as temidas Províncias de Chaco, Corrientes e Missiones, no nordeste argentino. Temidas não pelo perigo das estradas, que aliás são ótimas, ou como na Patagônia que é temida pelo seu forte vento, mas sim pela má fama da polícia rodoviária dessas duas províncias. Inúmeros são os relatos de motociclistas e motoristas brasileiros que tiveram problemas com a corrupção policial nesses lugares. De fato estava um pouco receoso, receio este que no final se mostrou sem motivo, pois não tive nenhum problema desse tipo.

Saí de Córdoba na manhã do dia 15/02/2013, o calor era intenso e as intermináveis retas me esgotavam, tornando a pilotagem exaustiva.  Após muitas retas chegamos em Corrientes, após cruzar o rio Paraná no começo da noite, nos hospedamos no centro da cidade e saímos para jantar em um dos restaurantes na orla do famoso rio. A orla do rio Paraná é de uma beleza única, o projeto de urbanização da capital da Província de Corrientes é dotado de praias, decks, um ótimo local para passear pela noite, com um bela vista da ponte que liga Corrientes a capital da Província de Chaco – Resistência.

No dia seguinte (16/02/2013) partimos para Puerto Iguazú, mas antes fomos conferir a orla do Rio Paraná.

Seguimos, então, pela RN 12 até a última cidade argentina antes de voltarmos ao Brasil. Ao chegar ali me deparei com a dura realidade, o projeto “De Mochila e Capacete até onde o vento faz a curva” estava em seu fim. Nos hospedamos em um ótimo hostel que tinha ficado na minha visita ao local no reveillon de 2011 e no final da noite fui perder um pouco de dinheiro no famoso Casino local.

No penúltimo dia da (17/02/2013) fomos lavar a alma nas Cataratas do Iguaçú. Antes porém passamos no centro de Puerto Iguazú e fomos até o “Hito Tres Fronteras”, ponto turístico da cidade fronteiriça, na confluência dos rios Iguazú e Paraná, que marca as fronteiras entre Argentina, Brasil e Paraguai. Finalmente via o meu país natal desde que o deixei em 28/12/2012. Após algumas fotos fomos até a entrada do Parque Nacional Iguazú, distante cerca de 15km do centro da cidade argentina.

As Cataratas do Iguacú são um lugar mágico, um espetáculo único da natureza, o volume de água impressiona, a quantidade de saltos é praticamente incontável. O parque argentino ao meu ver supera o brasileiro, seja pela localização geográfica e pela estrutura, são três circuitos de passarelas: um circuito inferior pelas partes baixas dos saltos; o circuito superior que passa ao alto das quedas e o circuito da Garganta do Diabo, a maior queda em volume d’água e a atração principal do parque. A entrada tem preços especiais para residentes do Mercosul (AR$ 90,00) e  optamos como extra um passeio em uma lancha para debaixo dos saltos (AR$ 150,00).

Percorremos primeiro o circuito inferior, vendo os inúmeros saltos e muitas vezes nos refrescando com os respingos de água que caem como um nuvem por cima das passarelas. Cada ponto das passarelas é mais impressionante que o anterior.

Chegamos então ao ponto de partida do passeio de lancha. Se ver as cataratas pelas passarelas é inesquecível eu não tenho palavras para descrever a visão que temos do leito do rio. O barco faz duas voltas, a primeira para que possamos tirar fotos e apreciar a beleza do local, já a segunda é o momento de uma profunda lavagem da alma, o barco entra embaixo dos saltos e é possível sentir toda a força da natureza sobre nossos ombros, uma experiência única na vida.

 

De alma lavado eu e Laila seguimos para os circuitos superior e da Garganta do Diabo, a cada salto, a cada passo, eu pensava como estava sendo maravilhosa essa viagem e como eu não poderia ter escolhido lugar melhor para o seu fim.

Do alto das passarelas via o Brasil, minha terra amada, onde vive nasci, cresci e provavelmente onde morrerei, lar da minha família e de 90% dos meus amigos e pessoas que amo. Ver o Brasil do alto da Garganta do Diabo, ainda na Argentina, com todo aquele volume de água caindo na imensidão das cataratas, me fazia pensar que a vida deve seguir correndo de forma intensa, percorrendo vários lugares, seja pelas águas, estradas, trilhas ou pelo céu,  por quanto tempo for necessário, dias, meses ou até anos, mas aquela visão me dizia que voltar para casa é sempre essencial.

E de fato eu estava voltando para casa.

Apoio:

 

About mochilaecapacete

Mochila & Capacete é o blog pessoal do montanhista, motociclista e mochileiro Marcos Paulo L. Ferreira.
This entry was posted in Argentina, De Mochila e Capacete até onde o vento faz a curva, Relatos de viagem and tagged , , , . Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>