Pico Paraná – para sempre em minha mente

Passado mais de 2 meses desde que voltei da minha mais incrível jornada – De Mochila e Capacete até onde o vento faz a Curva – sentia muita falta de 3 coisas que fizeram, pelo menos em algum momento, parte desses dias inesquecíveis, mas 3 coisas que apesar de longe estavam sempre em minha mente. No último final de semana de abril (27 e 28/04/2013) finalmente voltei para 2 dessas 3 coisas que amo: desbravar as estradas com o Panzer e trilhar montanhas. A terceira ainda terá que esperar.

O destino da vez era um lugar especial para mim, que busco visitar pelo menos uma vez por ano: o Pico Paraná no complexo da  Serra do Ibitiraquire, próximo à Curitiba/PR.

Estava ansioso para essa viagem, voltar ao trekking e à vida em duas rodas, ainda que por apenas dois dias, era algo que eu necessitava, deveria fazer isso mais vezes e não ter ficado tanto tempo preso nessa selva de pedra sufocante que é São Paulo. Na sexta-feira (26/04/2013) montei a mochila do trekking, separei ferramentas para o Panzer, empacotei tudo e minhas memórias me levavam para o início do ano, quando fazia isso todos os dias. Fui dormir excitado com o que viria e com o que relembrei.

Sai de casa pouco depois das 4 da manhã do sábado, seguindo pela rodovia dos Imigrantes onde encontrei mais 4 amigos  que me acompanharam na trilha. Depois do encontro seguimos pela baixada santista até a BR-116 em direção a Serra do Ibitiraquire, distante 400km da capital paulista. O caminho em si para mim foi uma atração, cada curva, cada reta e cada quilômetro percorrido era uma emoção, uma memória ou um pensamento bom, a estrada é o meu divã e nesses 400km foi como uma sessão intensa de terapia.

Chegamos na Fazenda Pico Paraná, ponto de entrada para as trilhas do complexo, pouco depois das 10 horas da manhã, pagamos a taxa de admissão (R$ 10,00) que dá direito ao uso das instalações da fazenda (banheiro, chuveiro, estacionamento, área de camping, etc..) e após trocar o capacete pela mochila iniciamos o árdua caminho rumo ao topo.

A trilha, como já relatei em outras oportunidades, começa com a cansativa subida do morro do Getúlio, apelidado carinhosamente de morro da desistência, alcançamos o final da subida e paramos para apreciar a vista e comer algo. Seguimos e adentramos no vale entre os Picos Caratuva e Itapiroca, um trecho de grande dificuldade, onde caminhamos por entre pedras, raízes, árvores e lama. Apesar da dificuldade desse longe trecho sentir a brisa das montanhas me fez sentir vivo de novo, o nó da gravata ali não me sufocava, o ar puro me renovava a cada passo, a água fresca que corre nos riachos me revigorava.

Vencemos a parte do vale e encaramos uma escalaminhada já na encosta do Pico Paraná em direção a área de acampamento conhecida como A2, a qual atingimos já no final da tarde, após 6 horas e 30 minutos que deixamos a sede da fazenda. Montamos acampamento e após jantarmos fui apreciar o incrível e estrelado céu, passei horas ouvindo boas músicas, curtindo a paisagem e pensando na vida.

Dormi, feito criança, cansado pela exaustiva trilha e leve por estar fazendo o que gosto, há muito tempo não dormia tão bem acampando, não ouvi o despertador e o pessoal levantando para ver o sol nascer, acordei já com o sol alto e esquentando a barraca pouco depois das 8 da manhã de domingo. Se por um lado foi bom dormir bem no alto da montanha, por outro deixei de atacar o cume e de ver o sol nascer, um espetáculo que ali é fantástico.

Tomamos café e iniciamos a descida, pelo mesmo extenuante caminho, descemos os grampos do paredão do Pico Paraná e entramos novamente na mata fechada e agora na volta o a subida do morro do Getúlio virou uma rápida descida.

Cheguei às 15 horas na fazenda, montei minhas coisas no Panzer e voltei para casa, cansado pela pesada trilha e pela longa pilotagem do caminho de volta, mas feliz por ter feito o que gosto.

Quando estava na noite de sábado no alto da montanha ouvindo músicas e vendo as estrelas, uma em especial me marcou naquele momento, pois percebi que voltar à estrada depois de abandoná-la por mais de 2 meses foi como me reconciliar com um grande amor, talvez eu não a tratei bem como ela merecia, talvez eu não tenha me apegado a ela como deveria, talvez eu não tenho dito as coisas que deveria ter dito sobre ela e se deixei a estrada em segundo plano nesse tempo é porque eu estava cego, mas uma coisa é certa ela estava sempre em minha mente e eu queria voltar ao braços dela, por cada curva, por cada quilômetro, por cada trilha, por cada montanha!

About mochilaecapacete

Mochila & Capacete é o blog pessoal do montanhista, motociclista e mochileiro Marcos Paulo L. Ferreira.
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