Mudanças: De Passa Quatro/MG até a Pedra do Baú/SP

Uma das coisas mais interessantes da vida é que ela é imprevisível, cada dia que passamos, por mais planejado que seja, sempre nos trás uma surpresa. E esse é o barato da vida, a capacidade de mudarmos e nos surpreender e o relato que inicio agora é sobre isso: mudanças e surpresas.

Planejei por algumas semanas subir ao ponto culminante do Estado de São Paulo, a Pedra da Mina. Decidi ir de carro,  a acessando por Passa Quatro/MG, pelo bairro do Paiolinho. Me programei, fiz reserva numa pousada para iniciar a subida no dia seguinte logo cedo, me programei no trabalho para poder sair antes do meu horário e chegar na cidade mineira em tempo hábil de descansar.

Chegou o grande dia, sai de São Paulo junto com minha amiga Laila por volta das 17 horas do dia 24 de maio, por conta do transito de Sampa chegamos em Passa Quatro/MG em pouco mais de 4 horas e nos hospedamos na ótima Pousada Pedra da Mina, terminamos de arrumar as mochilas e fomos descansar para saída pela manhã.

Maria Fumaça em Passa Quatro/MG

Acordamos cedo no sábado (25/05/2013) e fomos nos empanturrar no ótimo café da pousada, onde conhecemo o Sr. Paulo, proprietário do local e uma ótima pessoa para conversar, ficamos um bom tempo jogando conversa fora e até sairmos em direção ao bairro do Paiolinho. O sábado era de sol e céu limpo, porém havia chovido muito nos dois dias anteriores, começamos a subir a estrada de terra até o Paiolinho, porém devido a lama que se formou na estrada o carro não foi hábil a transpô-la. Ficamos esperando por cerca de uma hora o sol secar a estrada, mas desistimos pois a situação não parecia passível de melhoras, demos meia volta e voltamos para a pousada.

Ficamos um tempo sem reação e sem saber o que fazer, foram dias de planejamento que estávamos perdendo e decidimos conhecer um pouco de Passa Quatro, fomos até a Cachoeira Iporã, conhecida como “Cachoeira do Ibama”, ver se as águas correntes nos trazia boas ideias. Pensamos em várias opções de onde estender a viagem, fomos até a cidade, visitamos a estação de trem que abriga uma Maria Fumaça e almoçamos em um restaurante da simpática cidade mineira.

Após o almoço optamos por seguir viagem até São Bento do Sapucaí/SP, para no dia seguinte subirmos a Pedra do Baú, pegamos a via Dutra em direção a SP e fizemos uma emocionante parada no Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

Nos hospedamos em São Bento do Sapucaí já durante a noite e nos programamos para logo cedo fazermos a ascensão ao Baú.

Confesso que estava um pouco decepcionado por ter que abortar os planos e mudar o destino, mas saber improvisar e trocar de planos em pouco tempo é algo necessário na vida do viajante e estando com uma pessoa que compreenda e saiba lidar bem com isso se torna fácil tomar decisões de súbito e neste ponto a Laila foi muito boa, deu suas opiniões, ouviu as minhas e junto ponderamos a situação e em menos de 12 horas já estávamos hospedados em outro estado, com um novo plano e um outro objetivo.

Início da trilha

Já pela manhã do domingo (26/05/2013) seguimos de São Bento do Sapucaí em direção ao Complexo do Baú, famoso complexo de rochas que abrigam inúmeras vias de escaladas esportivas frequentadas por esportistas profissionais, amadores e turistas, formado pelo Bauzinho, Pedra do Baú e Ana Chata.

A Pedra do Baú

Deixamos o carro por volta das 10 da manhã em frente a uma tenda que vendia queijos, cachaças, pinhão, tapioca, etc.. cerca de um quilometro antes do final da estrada e fomos caminhando até a entrada das trilhas, onde acumula um grande número de turistas.

Decidimos subir primeiro o Bauzinho, pois o número de turistas não parava de crescer e logo mais a subida ia estar impraticável. O Bauzinho é de fácil acesso, após 10 minutos caminhando chegamos na primeira laje de pedra, a partir deste ponto a trilha segue pelas cristas e naturalmente acaba selecionando quem vai até o ponto extremo, de onde se pode ficar cara a cara com a Pedra do Baú. Neste ponto, já sem turistas que ficaram no meio do caminho, a vista é incrível e se pode contemplar a natureza sem a barulheira feita por aqueles que ficaram para trás. Ficamos por ali alguns minutos, sentindo o vento tocar nossos rostos e o sol aquecer nossa pele.

Vista do Bauzinho

Ponto extremo do Bauzinho

Retornamos e seguimos a trilha para subir a face sul da Pedra do Baú. Nesta trilha já não havia mais turistas, seguindo pelo bosque em um caminho com bastante barro até o início das escadas, as quais atingimos em pouco mais de 1 hora.

Laila no Bauzinho

A subida do Baú se dá por um verdadeira via ferrata com inúmeros grampos na pedra e por escadas instaladas e mantidas por montanhistas da região. Subir os degraus é um desafio a parte e e exige muita atenção e todo o cuidado possível, uma deslize pode ser fatal.

Vista da Via Ferrata

Escadas e mais escadas

Chegar ao topo é fantástico, seja pelo desafio de transpor as escadas ou pelo privilégio de poder ver o mundo sob outra perspectiva lá de cima. Caminhamos até a ponta do Baú, no ponto mais próximo do Bauzinho e, lá no alto, mais uma vez contemplamos a beleza da natureza, deitados na rocha deixando que o sol aquecesse nossos corpos e que o vento levasse toda a energia negativa que trouxemos da cidade, sentindo uma grande renovação de nossas almas.

Vista do topo do Baú

Escadas da face norte

Ficamos mais de uma hora no topo do Baú, voltamos pelas escadas, a descida exige a mesma atenção e cuidado desprendidos na subida, a montanha é para ser respeitada. Voltamos pela trilha até o carro, foi uma deliciosa trilha de 5 horas, andamos por volta de  7 km quilômetros e uma elevação de mais de 700 metros,  chegando até 1.950 metros no cume do Baú.

Sentindo o vento

Bauzinho visto do Baú

O Baú aos meus pés

Descansamos um pouco, comemos algumas tapiocas e seguimos em direção ao caos de São Paulo.

Hora de descer

O fim de semana na montanha foi fantástico, tínhamos uma ideia inicial a qual não foi possível ser atingida, acredito que nada é por acaso, se não foi possível chegar até a Pedra da Mina o destino nos levou a outro lugar maravilhoso. Essa capacidade de se adaptar e improvisar que nós viajantes temos me fascina, mudanças por vezes são boas e necessárias. Embora tenha ficado triste por não conseguir subir ao ponto culminante do estado me surpreendi com a beleza e diversão proporcionada pela Pedra do Baú.

Aprendo a cada dia que viver, mudar e  se surpreender são coisas essenciais.

De frente para a Pedra do Baú

About mochilaecapacete

Mochila & Capacete é o blog pessoal do montanhista, motociclista e mochileiro Marcos Paulo L. Ferreira.
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2 Responses to Mudanças: De Passa Quatro/MG até a Pedra do Baú/SP

  1. E que mudança boa heim?
    Sem dúvidas saber recuar em dados momentos é uma virtude, não é mesmo? E somente quem está lá, em campo, sabe dos reais motivos, condições e quanto isto é difícil…
    Parabéns, show de bola: imagens espetaculares!
    Abs

  2. mochilaecapacete says:

    Foi uma otima mudança francisco! Obrigado pela visita!

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